Como vender no crediário (carnê)
Crediário próprio é você financiando a compra: o cliente paga uma entrada, o resto vira parcelas mensais, e o dinheiro vem no seu carnê — sem cartão, sem adquirente, sem taxa de máquina. É diferente do fiado: fiado é uma conta em aberto sem prazo definido; carnê tem número de parcelas, vencimentos, juros opcionais e multa/mora quando atrasa.
Este guia é o caminho completo, na ordem em que você vai fazer pela primeira vez: ligar na loja, vender, receber, e conferir onde o dinheiro aparece.
Antes de começar: o crediário é por loja. Cada loja tem as suas regras (número máximo de parcelas, juros, multa) e você liga em uma sem afetar as outras.
1. Ligue o crediário na loja
Em Loja → Configurações, abra a loja e vá na seção Crediário (carnê):

Preencha as regras e ligue Aceitar crediário nesta loja:
- Máximo de parcelas e valor mínimo da parcela — o caixa não deixa passar disso. Parcela mínima evita carnê de R$ 8,00 por mês, que dá mais trabalho de cobrança do que valor.
- Entrada mínima (%) — 0 libera venda sem entrada. Entrada é o que mais reduz inadimplência: quem paga uma parte na hora volta para pagar o resto.
- Juros ao mês (%) e Sem juros até (parcelas) — compras até esse número de parcelas saem sem juros automaticamente. Acima dele, os juros entram.
- Multa por atraso (%) — o CDC limita a 2%, e o sistema também.
- Juros de mora ao mês (%) — o que corre por dia de atraso, além da multa.
- Dias até a 1ª parcela / dia fixo de vencimento — use o dia fixo quando quiser todo mundo vencendo no mesmo dia (dia 10, por exemplo).
- Contar o prazo em dias úteis — desligado (o normal), o vencimento anda de mês em mês mantendo o dia. Ligado, o prazo conta em dias abertos e vale para todas as parcelas: 30 dias úteis são cerca de 6 semanas, então o carnê fica mais espaçado que um mês — e o dia fixo deixa de valer. Nos dois modos o vencimento nunca cai num dia em que a loja está fechada.
Ao salvar com a chave ligada, o meio de pagamento "Crediário" passa a aparecer no caixa dessa loja. Você não precisa cadastrar nada em Formas de pagamento — é automático. Desligar a chave tira o crediário do caixa, e os carnês já abertos continuam sendo recebidos normalmente.
2. Venda no caixa
O crediário é lançado no caixa, sobre uma pré-venda com cliente: é no cliente que a dívida fica, então sem cliente o caixa não deixa finalizar.
Escolha Crediário na forma de pagamento e o card abre:

- Entrada (paga agora) — quanto o cliente está pagando neste momento.
- Forma da entrada — dinheiro, PIX, cartão. Esse campo importa: é ele que faz a entrada entrar na gaveta do caixa e no seu fluxo de caixa. Sem ele, o valor ficaria só na venda, e o fechamento do caixa não bateria.
- Nº de parcelas — respeitando o máximo e a parcela mínima da loja.
- 1º vencimento — a data em que a primeira parcela cai. O campo já vem preenchido com a data que sai das regras da loja, e você pode trocar: o cliente que recebe no dia 5 não precisa vencer no dia 28. As parcelas seguintes saem dessa data, de mês em mês, mantendo o dia. Se o dia escolhido cair com a loja fechada, o vencimento anda para o próximo dia de funcionamento — e o card avisa que andou.
- Sem juros — disponível até o limite que você configurou.
O quadro de baixo é a simulação, calculada na hora: valor de cada parcela com os vencimentos, Total a prazo (entrada + parcelas, o que o cliente vai desembolsar no total) e CET (Custo Efetivo Total ao mês). Os dois são exigência do Código de Defesa do Consumidor — mostre a tela para o cliente antes de fechar.
Se a loja cobra juros e o prazo passa do limite sem juros, é aqui que isso fica visível: o Total a prazo sai maior que o valor da compra e o CET deixa de ser 0%. A diferença aparece em Juros, ao lado. Dentro do limite sem juros, os dois números batem com o preço à vista.
Finalize a venda como sempre. O carnê nasce na hora, e o fecho oferece Imprimir carnê — um recibo por parcela, para o cliente levar. O carnê impresso traz o Total a prazo já somando a entrada, ou seja, o desembolso real do cliente.
Estourou o limite do cliente? Fiado e carnê dividem o mesmo limite de crédito. Se a soma passar, o caixa pede a liberação de um gerente (código do funcionário + PIN), igual ao desconto acima do limite. Isso vale para qualquer operador, inclusive dono e gerente.
3. Acompanhe os carnês
Loja → Crediário é a carteira: todo carnê aberto, quanto falta receber e qual é a próxima parcela de cada um.

A lista abre inteira. Os filtros são para caçar:
- Vencimento — Somente com atraso (quem cobrar hoje), Vence em 7 dias (quem avisar), Vence este mês.
- Status — em aberto, parcial, quitado, em atraso, cancelado.
- Cliente — todos os carnês de uma pessoa.
Clicar na linha abre o carnê; clicar no nome do cliente abre a ficha de crédito dele.
4. Receba as parcelas
O detalhe do carnê tem tudo: quanto já entrou, o que falta, cada parcela com vencimento e status, e o histórico de recebimentos.

A barra mostra quanto do parcelado já foi recebido. Repare nos dois totais, que são coisas diferentes:
- Parcelado (com juros) — a soma das parcelas. É contra ele que "Pago" e "Devido" são medidos.
- Total a prazo — entrada + parcelas, o desembolso total do cliente.
Os dois papéis do carnê

São documentos diferentes, e vale entender quando usar cada um:
- Imprimir carnê — um recibo destacável por parcela, para o cliente levar e pagar. A linha de assinatura é de quem recebe, no balcão. Sai em A4 ou na impressora térmica.
- Confissão de dívida — o termo que o cliente assina. Sai só em A4, com a qualificação das duas partes (CNPJ e endereço da loja; documento, RG e endereço do cliente), o quadro de parcelas, as regras de multa e mora, o vencimento antecipado em caso de atraso e o espaço para a assinatura do cliente e de duas testemunhas. Assinado assim, é título executivo extrajudicial (art. 784, III do CPC) — é o papel que dá força à cobrança.
Imprima a confissão junto com o carnê, na hora da venda: depois que o cliente sai da loja, colher assinatura fica muito mais difícil. Para o termo sair completo, o cadastro do cliente precisa ter documento, RG e endereço — os campos que faltarem simplesmente não aparecem no papel.
Você chega neste mesmo lugar pela ficha do cliente: em Crédito do cliente, cada carnê tem o botão Abrir.
Baixar parcela
Baixar parcela abre o recebimento. Escolha a parcela e a forma de pagamento — dinheiro, PIX ou cartão. Fiado, crédito de devolução e o próprio crediário não valem para receber carnê: seriam dívida pagando dívida, e o sistema recusa.

A linha cinza é a conta do que você vai cobrar: valor da parcela + multa + mora, calculada até hoje. Em parcela vencida, é aqui que você vê o acréscimo antes de confirmar — e é o número que você cobra do cliente.
Precisa receber só uma parte? Ligue Pagamento parcial e informe o valor. A parcela fica como Parcial e o restante continua em aberto.
Baixa precisa de caixa aberto, o do terminal onde você está e da mesma loja do carnê. É o que garante que o dinheiro entre no fechamento certo — receber num caixa já fechado (ou de outra loja) estragaria a conferência dele, e o sistema recusa.
Quitar antecipado
Quando o cliente quer pagar tudo de uma vez, Quitar antecipado mostra a conta antes de qualquer coisa:

O sistema abate os juros futuros — o cliente não paga juros de um prazo que não vai usar. A tela mostra o saldo do principal, o desconto e o valor final. Confirmando, o carnê é quitado por esse valor e o desconto fica registrado no histórico.
Como esses juros foram perdoados, eles não entram na sua receita financeira: o relatório conta só o que você realmente recebeu.
5. Onde o dinheiro aparece
Recebimentos → Previstos
O crediário não tem tela financeira própria: cada parcela é dinheiro a receber como qualquer outro. Assim que a venda fecha, as parcelas já entram em Financeiro → Recebimentos, visão Previstos, uma linha por parcela, com o vencimento como data prevista. Clique no chip Crediário (carnê) para ver só elas:

O gráfico mostra quando cada parcela cai. Abaixo dele, a tabela lista uma linha por parcela:

O status conta a história da cobrança:
- Previsto — parcela a vencer. É o que você tem contratado para receber.
- Atrasado — venceu e o cliente não apareceu. Aqui o carnê é diferente de cartão: no cartão a data passar significa que o dinheiro caiu; no crediário significa que falta cobrar.
- Recebido — a parcela foi baixada. A linha é atualizada, não duplicada: o valor passa a ser o que entrou de verdade (com multa e mora, se houve) e a forma deixa de ser "Crediário" e passa a ser a que você usou no balcão — na tabela acima, as duas linhas recebidas aparecem como Dinheiro.
Por isso o carnê aparece também no gráfico ("o que cai quando") e no Fluxo de Caixa — é receita futura com data e valor conhecidos, não uma surpresa.
Multa e mora não são previstas — ninguém sabe se o cliente vai atrasar. Elas entram no valor no momento da baixa, junto com a parcela.
A baixa dessas linhas não é feita aqui: é na ficha do carnê, com Baixar parcela. A tela de recebíveis não deixa dar baixa manual nessa origem de propósito, para o dinheiro do carnê ter um caminho só.
Ficha de crédito do cliente
Na ficha do cliente você vê o limite compartilhado e como ele está sendo usado — fiado de um lado, carnê do outro:

É a tela para responder "posso vender mais para essa pessoa?" antes de abrir outro carnê. O botão Alterar Limite muda o limite compartilhado (fiado + carnê).
Devolução de venda com carnê
Depende do tamanho da devolução, e a tela avisa qual é o caso:
- Devolução total (todos os itens, na quantidade cheia) — as parcelas em aberto são estornadas junto com a devolução. Você não cancela o carnê à mão.
- Devolução parcial — o carnê continua de pé: as parcelas seguem em aberto e o cliente continua devendo. É de propósito: devolver um item de R$ 50 numa venda de R$ 1.000 em 10x não pode cancelar as dez parcelas.
Em qualquer caso, o que já foi recebido continua no histórico do carnê.
Perguntas comuns
Qual a diferença de fiado e crediário? Fiado é conta em aberto, sem parcela nem vencimento definido. Carnê tem N parcelas com datas, juros opcionais e multa/mora no atraso. Os dois consomem o mesmo limite de crédito do cliente.
O cliente chegou e quer pagar tudo o que deve no fiado. Na ficha dele, marque as dívidas e use Receber selecionadas: cada uma é quitada pelo saldo integral, numa transação só — ou entram todas, ou não entra nenhuma. Duas regras: as contas têm de ser da mesma loja (o caixa e as formas de pagamento pertencem à loja), e não dá para quitar fiado com fiado nem com crédito de devolução — isso não move dinheiro, só empurra a dívida de um saldo para o outro. O valor não vem da tela: é relido na hora da baixa, então uma quitação feita em outro terminal no meio do caminho cancela a operação em vez de cobrar um saldo velho.
Uma dívida de fiado paga pela metade sumiu do "A receber sem data"? Não some mais — o bloco conta o que ainda se deve, incluindo dívida parcialmente paga.
O "Crediário" não aparece no caixa. Três coisas, nessa ordem: a loja selecionada no caixa é a que tem o crediário ligado? A chave Aceitar crediário nesta loja está salva? A pré-venda tem cliente? Sem cliente, a linha de carnê não passa.
Vendi sem entrada, pode? Pode, se a entrada mínima da loja for 0. Com entrada mínima configurada, o caixa avisa antes de finalizar.
Dá para a primeira parcela vencer no dia do pagamento do cliente? Dá — é o campo 1º vencimento no card do crediário, no caixa. O que você escolher vira o vencimento da primeira parcela, e as outras seguem de mês em mês a partir dela. Só não vale data no passado, e o limite é 180 dias da venda.
Onde imprimo a confissão de dívida? Na tela do carnê (Vendas › Crediário, clique no carnê; ou pela ficha do cliente, em Crédito do cliente › Abrir), no botão Confissão de dívida. Sai em A4, pronto para o cliente e duas testemunhas assinarem.
O total do carnê não bate com o total da venda. Não deve bater: o carnê guarda o que foi parcelado. A entrada saiu no ato e não é parcela. A soma dos dois é o Total a prazo.
Cliente atrasou. O sistema cobra sozinho? Multa e mora entram automaticamente no valor da parcela vencida — você vê a quebra na hora da baixa. Os avisos de vencimento e atraso são enviados pelo sistema por WhatsApp e e-mail.
Sai duplicata na nota? Na NF-e (modelo 55), o bloco de cobrança com as duplicatas sai quando o carnê é sem juros — aí as parcelas fecham exatamente com o valor da nota. Com juros embutidos, ele é omitido, e a nota continua identificando a venda a prazo pela forma de pagamento. Na NFC-e do balcão isso não se aplica.
Devolvi um item e o carnê não mudou. Está certo: só a devolução da venda inteira estorna as parcelas. Na parcial, combine com o cliente — você pode receber as parcelas normalmente e devolver o valor do item em dinheiro ou crédito.
Recebi a parcela errada. A baixa fica no histórico de recebimentos do carnê, com data, valor, forma e quem recebeu. Para corrigir, fale com o suporte: estorno de parcela mexe em caixa e recebível.
Continue
- Como conciliar a maquininha — o outro lado do recebimento: taxa e prazo de cada forma de pagamento.
- O Financeiro do começo ao fim — onde o crediário se encaixa entre caixa, contas a receber e lucro.
